As novas profissões do marketing digital

Na era da transformação digital, novas oportunidades de carreira aquecem o mercado de trabalho

Por Gabriella Ramos

Assim como muitas profissões antigas acabaram adquirindo novas funções e até mesmo mudando de nomenclatura, novos cargos e competências repaginaram o mercado de trabalho para o profissional de Marketing. “Hoje em dia existe alguém para cuidar de uma comunidade digital, e isso não existia há 10 anos. É algo totalmente novo. Digital influencer, por exemplo, também é uma profissão”, comenta André Kadow, professor universitário, pesquisador, palestrante e consultor em inovação. “Muitas dessas profissões vieram com startups e acho que alguns cargos ainda devem surgir, como os que misturam marketing e tecnologia. Isso só é possível porque o setor requer uma especialização”.

Mas, ao mesmo tempo em que a especialização é um fator importante para se destacar no marketing digital, competências como a curiosidade continuam sendo requisitadas. “O grande diferencial do profissional é ser curioso e pesquisar, porque chega uma hora em que tudo vira commodity. Muitas pessoas fazem ações no Facebook, mas poucas fazem direito. Facebook, Google e Twitter colocam coisas novas na rua todo mês. Se você não ficar atento, não vai conseguir oferecer para o seu cliente a melhor solução”.

Empreendendo na era digital

A curiosidade é instintiva para as novas gerações, que cresceram rodeadas pela internet e pelas mídias digitais em geral. Foi assim que Laíze Damasceno, jornalista, empreendedora, criadora do Marketing de Gentileza e autora do livro homônimo, começou a trabalhar com marketing digital. “Eu sempre investi em desenvolvimento pessoal não só para acompanhar as transformações do mercado, mas principalmente porque sempre fui curiosa e interessada. Gosto de aprender a me virar sozinha, estudar e aplicar na prática”, conta. Para ela, as bases do marketing são as mesmas, mas o que mudou – e vai continuar mudando – são os canais, os meios, as ferramentas e o comportamento de consumo das pessoas.

Em 2016 ela desenvolveu um método de trabalho com cinco passos a serem implementados em negócios que querem ter marcas humanizadas, para assim conquistarem a confiança das pessoas no mundo digital. “Em síntese, o Marketing de Gentileza nasceu da minha insatisfação com as relações de mercado. Acredito que marketing não é apenas sobre marcas, serviços, produtos ou eventos. É sobre relações humanas”, relata. “Reputação de marca não se constrói com criatividade falsa, mas sim com autenticidade e integridade e com ações honestas de marketing e comunicação”.

Por se tratar de um universo muito amplo, o marketing digital traz uma variedade de opções de atuação. “Existe o marketing de conteúdo, as métricas e análises de dados, Inbound Marketing, etc. Dentro desses campos existem as ferramentas digitais”, diz Laíze Damasceno. “Mesmo que você domine muitos assuntos e saiba fazer muitas coisas, posicione-se como especialista em uma área. Se você estiver precisando de um profissional para escrever artigos para o seu blog, quem vai chamar mais a sua atenção e te passar mais confiança num primeiro momento? O redator ou um consultor genérico de marketing digital? O redator, com certeza”.

Quem são eles?

Apesar de a nomenclatura “growth hacker” ser uma novidade para Jana Ramos, atual Head of Growth Hacking da Growth Lovers, a profissão entrou em sua vida naturalmente. “Percebi que estava fazendo alguns experimentos de maneira intuitiva, alguns testes para aumentar as taxas de abertura e clique de e-mails ou as taxas de conversão de uma página, por exemplo. Segui estudando e praticando para me tornar uma referência também”.

Ramos define o growth hacker como a pessoa responsável por encontrar oportunidades de crescimento numa empresa, olhando desde a aquisição até a retenção de clientes. “De maneira data driven, enxergamos quais são os gargalos em marketing, vendas, produto, customer success, criamos hipóteses para resolver esses problemas, fazemos testes e replicamos os ganhos em escala. Ajudamos os times a priorizar o que será testado, a entender quais ações irão trazer maiores ganhos, quais métricas acompanhar e como implementar soluções criativas e enxutas para otimizar todo funil de growth da empresa”, conta.

“É um universo muito inovador, instigante e apaixonante. Colocar as ideias e processos em prática, construir cases de sucesso, resolver problemas e proporcionar crescimento exponencial para as empresas é motivo de muitas realizações”, diz Jana. Ela, que realiza um trabalho de mentoria e tração em startups e empresas, tem como meta ajudar a formar apaixonados por growth hacking, deixar um legado, contribuir com as empresas e também com seus alunos. “É maravilhoso trabalhar com o que ama e acredita e ser bem remunerado por isso. Assim como é muito bom proporcionar crescimento para as empresas e pessoas, principalmente em capacitação e gestão de soft e hard skills”.

Daniel Cobianchi, formado em Relações Públicas e Community Manager na weme, também mergulhou nesse novo universo e nele encontrou sua vocação. “Eu nunca imaginei que gostaria tanto de trabalhar com isso. Durante a faculdade já se falava muito sobre o tema, mas confesso que eu não me interessava… Até eu descobrir o impacto do Marketing Digital na transformação do universo da Comunicação”.

“Para mim, Community Manager é mais do que um cargo, é uma atitude de liderança. Mas, por definição, é um papel que cria e desenvolve comunidades online e off-line. Essas comunidades, na maioria das vezes, estão em torno de uma marca ou de uma causa” conta Cobianchi. Ele defende que, atualmente, é crucial que empresas invistam em suas próprias comunidades. “Cada dia mais, o que torna uma marca influente não é o seu tamanho, mas a sua comunidade. Por isso um bom trabalho na gestão dela é tão importante para os negócios, que podem ter seus clientes e parceiros como aliados e promotores de sua marca”.

Assim como Cobianchi, Carolina Castro não imaginava que atuaria no marketing digital, mais especificamente como redatora UX. Formada em jornalismo, Carolina começou como community manager em uma agência de publicidade, e, em seguida, como redatora na Dafiti, onde teve seus primeiros contatos com a profissão. “Depois disso, entrei para a área de e-commerce do Grupo Boticário, onde era a redatora/UX Writer da equipe de criação e UX. Foi nessa experiência que tive mais contato com interface e estratégia de conteúdo para canais digitais”, diz Castro.

Em sua percepção, apesar do nome UX Writer ser algo recente, já existem redatores especializados em plataformas digitais há muito tempo. “O que acontece é que, recentemente, a área de tecnologia descobriu estes profissionais, trazendo mais reconhecimento para a função”.

Por definição, o UX Writer é a pessoa responsável por criar uma comunicação clara, concisa e humanizada para produtos digitais. “Nós entendemos o problema que o usuário precisa resolver naquele momento específico da experiência e criamos textos que sejam simples de entender, ajudem o usuário a executar a ação que ele precisa, e tenha a personalidade da marca em questão” explica Carolina. “Conseguimos simplificar a experiência dos usuários nesses produtos digitais, excluindo passos extras com textos claros e bem escritos, que sanem qualquer dúvida do usuário e deixem a experiência mais fluida e satisfatória”.

Tanto Carolina Castro quanto André Kadow defendem que, para sobreviver no mercado de marketing digital, é necessário ter entendimento sobre métricas e análise de dados. “É algo que o mercado pede cada vez mais e que profissionais de comunicação não costumam entender tanto”, conta Carolina. “Saber fazer análises é cada vez mais imprescindível. Apresentar resultados dos seus trabalhos traduzidos em números é algo muito valorizado nas empresas, e te ajuda a mostrar a relevância do seu trabalho. Profissionais que sabem fazer isso com certeza terão vantagens no dia a dia”.

Para Kadow, dominar a análise de dados traz a possibilidade de apresentar resultados assertivos. “Ao fazer um anúncio na TV ou em uma revista, o número de pessoas atingidas é uma estimativa. Quando fazemos um anúncio no Google ou no Facebook, esse número se trata de uma afirmativa”. Carolina reforça ainda a necessidade de ser um profissional multifacetado nesse mercado. “Acho que nenhum curso de comunicação vai te formar para ser esse profissional do futuro, o segredo é ir se especializando e diversificando suas experiências, caso você ainda não tenha convicção de em que área deseja atuar. Assim, está pronto para as oportunidades que forem surgindo no caminho”.

Jana Ramos também acredita na importância de ser um profissional full stack, que domine áreas diferentes e complementares. “É muito importante desenvolver habilidades de escrita e comunicação, independente de ser jornalista; a criatividade é importante independente da publicidade; não precisa ser engenheiro para dominar processos, dados e interpretações analíticas e estatísticas; é preciso ter conhecimento em design, CRO, UX, neuromarketing, vendas, sucesso do cliente, pois mesmo que não seja um especialista, é preciso ser capaz de coordenar e direcionar um time de especialistas. O profissional que estudar esses conceitos e se capacitar será muito demandado nos próximos anos”.

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