O valor da sustentabilidade

Para atender novas demandas de consumo, empresas de todos os portes estão fazendo escolhas mais responsáveis e conscientes

Por Gabriella Ramos

Não é de hoje que o termo sustentabilidade parou de ser atrelado somente aos ambientalistas e ganhou importância no dia a dia das empresas. A antiga forma de produzir e de trabalhar começa a ser repensada: diante de recursos naturais finitos e do agravamento de problemas ambientais, adotar um pensamento sustentável configura um diferencial competitivo e gera novos negócios.

Provando que negócios sustentáveis podem ser rentáveis, empresas de todo o Brasil estão vivenciando bons resultados. No Expo D. Pedro, a tentativa de minimizar os impactos negativos acontece através da RLZE Grupo, responsável pela separação para reciclagem de todos os resíduos dos eventos, sejam eles de grande, médio ou pequeno porte.

Atitudes sustentáveis tornaram-se não somente um argumento de venda, como também um pré-requisito para negócios de sucesso. Os consumidores, mais exigentes e conscientes, passam a fazer escolhas diferentes em todos os setores.

Mudança nas comunidades

Nesse mesmo contexto, empresas e startups viram a oportunidade de inovar minimizando seu impacto ambiental. Foi o caso da so+ma, startup de sustentabilidade criada em 2016 pela empreendedora Claudia Pires, no Rio de Janeiro. “A so+ma nasce de tudo que vivi, validei, percebi, aprendi e gostaria de criar. Nossa vontade é agregar, criar uma lógica ganha-ganha e potencializar o que há de melhor nas pessoas: o comportamento”, relata.

E, usando o comportamento como moeda de troca, a so+ma muda a realidade das cerca de 1000 famílias cadastradas no programa. A lógica é simples: ao entregarem produtos recicláveis em pontos de coleta nas comunidades, os moradores acumulam pontos que podem ser trocados por cursos de capacitação, serviços, descontos no comércio local, alimentos, entre outros benefícios.

“Até agora, essas famílias já reciclaram um pouco mais que 87.000 kgs de resíduos, uma média de, aproximadamente, duas toneladas por mês”, conta Claudia. Além de benefícios como o auxílio na limpeza do bairro e a relevância para o meio ambiente, o programa também traz benefícios para a economia. “Oferecemos desde alimentos da cesta básica, até cursos de capacitação. A economia é bastante relativa, mas há famílias que já chegaram a economizar um terço do salário mínimo”.

Prestes a inaugurar uma nova casa de coleta na zona leste de São Paulo, a intenção da so+ma é expandir para diversas regiões do Brasil e impactar a maior quantidade de famílias possível. “Estamos buscando atender por volta de 5.000 famílias por casa e receber quatro toneladas por mês em cada casa. Além disso, estamos nos dedicando a expandir o portfólio de recompensas, trazer novas tecnologias, pontuar mais comportamentos e aumentar as oportunidades do nosso público. Queremos nos tornar uma política pública em breve e estender nossa participação para outros países também”.

Para a empreendedora, o movimento de empresas com propósito está crescendo e ganhando visibilidade. “Cada vez mais estamos experienciando os impactos das nossas ações e não queremos compactuar com algo que não compartilha dos nossos valores. Com essas novas ondas de negócios de impacto que estão surgindo, as pessoas têm a opção do sustentável, e acredito que essa tende a ser a escolha”.

Pedalando na metrópole

Em São Paulo, a E-moving, empresa de aluguel de bicicletas elétricas, nasceu como a opção sustentável que propõe revolucionar a forma como as pessoas se deslocam em grandes e médias distâncias nas grandes cidades.

Gabriel Arcon, diretor e fundador, conta que o empreendimento começou por um problema real. Estressado por conta do trânsito na capital, Gabriel começou a buscar novas alternativas e descobriu a bike elétrica, que proporcionava economia de tempo e não o deixava cansado ao chegar ao trabalho. Em 2015, ele e seu sócio Kleber Piedade conceberam a E-moving, com 16 bicicletas elétricas.

Gabriel ressalta os benefícios financeiros para quem escolhe pedalar. “A economia que uma pessoa tem ao trocar o carro pela e-bike pode chegar a 1.200 reais por mês, valor que antes era gasto com combustível, estacionamento, táxis etc.”, pontua. Além disso, as e-bikes são amigas do meio ambiente. “A emissão de CO² não existe com a bike. É um transporte sustentável, saudável, eficiente e econômico”.

Voo coletivo de mudança

A moda não ficou de fora dessa onda de mudanças conscientes. Marcas tradicionais mudaram suas práticas para minimizar o impacto no meio ambiente, enquanto novas marcas reinventaram o conceito de “moda sustentável”. Em Porto Alegre, as amigas Adriana Tubino e Itiana Pasetti lançaram a Revoada, buscando recriar a moda e trazer um impacto positivo para o mundo.

O processo de criação dos produtos Revoada, consequentemente, é inovador. Depois de anos estudando a melhor forma de criar uma cadeia específica para seu trabalho, veio a ideia: por que não usar o lixo como fonte criativa? Foram escolhidas, então, câmaras de pneus e nylon de guarda-chuvas como matéria prima para os produtos que viriam.

Os materiais são comprados em unidades de triagem de lixo e borracharias, direto com borracheiros e catadores. Depois, são higienizados em uma lavagem industrial, que tem captação da água da chuva e tratamento correto da água. A produção, por sua vez, é feita em pequenos ateliês de costura e principalmente em cooperativas de mulheres costureiras, onde os produtos finalmente serão costurados e montados.

Adriana ressalta que a indústria, de forma geral, trabalha com processos lineares que vêm desde a Revolução Industrial, gerando um grande impacto negativo. “Estamos vendo um modelo muito bem-vindo florescer: a economia circular. Ela não pensa no fim, mas sim em um recomeço. A produção linear normalmente põe o produto no mundo e a responsabilidade acaba, quando, na verdade, a vida útil desse produto é uma responsabilidade de todos que o produzem, para que ele traga um impacto positivo na vida das pessoas”.

O modo de pensar da Revoada tem se mostrado muito benéfico tanto para as pessoas envolvidas na produção quanto para o meio ambiente. “Em quatro anos, já reinventamos oito toneladas de câmaras de pneus e dez mil nylons de guarda-chuva. Já geramos emprego e renda para mais de 300 famílias, somando catadores, borracheiros e cooperativas”, calcula.

Para Adriana, o mundo pede por mudanças e esses pedidos estão cada vez mais claros. “A forma como temos produzido está causando um esgotamento de recursos, e o Brasil já é o terceiro país do mundo que mais gera lixo. Se a indústria escolher fazer as coisas da mesma forma de sempre, gerando impacto negativo para o mundo, sem dúvidas perderá uma grande fatia de consumidores que estão mais atentos, mais conscientes e que fazem outras escolhas”.

Energia consciente

Pensando nas novas escolhas de consumo e nas necessidades do planeta, empresas tradicionais passaram a colocar a sustentabilidade como prioridade. A CPFL Energia, uma das maiores empresas do setor elétrico brasileiro, transformou valores sustentáveis em objetivos de negócios, indo além da gestão dos programas sociais.

“A companhia criou e desenvolveu a Plataforma de Sustentabilidade, uma ferramenta de gestão que alinha metas operacionais e financeiras aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS das Nações Unidas”. Conta Rodolfo Sirol, Diretor de Meio Ambiente da CPFL Energia.

“Temos ampliado esforços na promoção de novas tecnologias com baixa emissão de carbono, alinhadas aos desejos de um consumidor mais empoderado e sustentável. Nesse sentido, nos orgulhamos de sermos líderes em geração de energia renovável no país por meio da CPFL Renováveis”, continua.  Além dessas iniciativas, outras frentes de investimentos são ações e projetos em eficiência energética, a digitalização da rede elétrica e pesquisas na área de mobilidade elétrica e armazenamento.

Apenas em 2017, as distribuidoras da CPFL Energia investiram 54 milhões de reais em projetos de eficiência energética. “Do montante total, as concessionárias aplicaram 32 milhões em instalação de equipamentos mais eficientes (como chuveiros, lâmpadas, geladeiras e aquecedores solares) para clientes de baixo poder aquisitivo, regularização de ligações clandestinas e atuação de agentes comunitários; cerca de R$ 3,9 milhões em projetos e equipamentos para tornar indústrias, clientes comerciais e residenciais mais eficientes no consumo de energia; 5 milhões em melhoria da eficiência energética de prédios e empresas de serviço público e 7 milhões em iniciativas educacionais”.

Com a mudança no perfil do consumidor, o desenvolvimento sustentável e a adoção de práticas sociais responsáveis se tornaram uma premissa para o sucesso em qualquer organização. “Uma pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) revelou que os financiamentos para projetos ligados à redução da emissão de carbono, eficiência no uso de recursos naturais e inclusão social cresceram 33,4% em 2017, indo na contramão da trajetória decrescente do crédito corporativo no Brasil”, conta.

Protagonista em sustentabilidade no setor elétrico brasileiro, a CPFL Energia credita essa consolidação à sua atuação com base em uma matriz sustentável, onde aproximadamente 95% de seu parque gerador é proveniente de fontes renováveis de energia, como hidrelétricas, biomassa, eólica e solar. “Desde sua concepção, a CPFL Energia assume papel de protagonismo na promoção de uma economia de baixo carbono e tem trabalhado para que o setor elétrico evolua em questões ligadas às mudanças climáticas, como geração de energia a partir de fontes limpas e renováveis e a precificação do carbono no Brasil”, pontua Sirol.

Diante deste cenário de grandes mudanças, o Diretor de Meio Ambiente da CPFL Energia afirma ser imprescindível se preparar para os desafios e as oportunidades do futuro. “Optar pela adoção de processos produtivos mais sustentáveis e conscientes é premissa para a competitividade, uma vez que redução de custos e minimização do desperdício em todos os níveis de produção são ações que contribuem para o aumento da eficiência operacional”.

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